Hallo, Leute!!
Tá certo que o blog anda um pouco as moscas, já que o clima na cidade de Köln esquentou (tchaaaau inverno!!) e eu me recuso a ficar em casa mosqueando na internet... hahahaha agradeço àquelas pessoas que acompanharam os lentos relatos da viagem para Itália e para Áustria, e que demonstraram seu afeto por meio e comentários e mensagens para que eu não parasse de postar. Mas tenho meus motivos para essa ausência...
Durante esses dois meses que não escrevi diariamente aqui no blog, muitas coisas aconteceram. Eu tive que escrever meus trabalhos da universidade, tive que traduzi-los para o idioma alemão e confesso que não foi fácil. Com tantos afazeres e exigência dos professores – que me consideram como uma aluna regular, e não me deram regalias de intercambista – reconsiderei muitas coisas, aprendi tantas outras, e percebi o quão difícil é se expressar em outro idioma... Concluí que sou uma corajosa!
Faz pouco mais de um ano que comecei a estudar o idioma alemão, lá em Imbituba com uma amiga que estuda letras-alemão, a Damaris (que inclusive se formou esse mês, meus parabéns, Lehrerin!!). Comecei do zero mesmo! A dizer meu nome, as cores, os números, igual uma criança no prézinho. E pela quantidade de consoantes que tem, não foi tão fácil – e continua não sendo. Mas eu estava empolgada com a possibilidade de fazer intercâmbio na Alemanha, e mesmo sem ter certeza da minha vinda para o velho mundo, eu praticava diariamente com o meu pai (que fala um dialeto alemão com sua família, do interior do estado de Santa Catarina). Mas ainda não conseguia expressar ideias, apenas soltar frases aleatórias, cumprimentar... Essas coisas de nível beem básico.
Em seguida, parti para um curso particular na skill, com aulas semanais em que tive que dividir o tempo desse estudo com o estágio da faculdade, ou seja, preparar e dar aulas em uma sétima série do ensino fundamental, uma das partes mais aterrorizantes da faculdade (para alguns), mas que eu desempenhei com desejo e obtive sucesso! Aí eu aprendi muita coisa, que o bom professor tem que cativar o aluno para que ele se sinta motivado e demonstre resultados. Esse negócio de que o aluno caminha sozinho, nem sempre faz sentido. Digo por minha experiência aqui.
Eu tive aqui na Universidade de Köln uma professora de alemão que teve o dom de desmotivar a turma, e olha que eu gosto de estudar, quem convive comigo sabe. Cheguei na Alemanha com um alemão hiper básico e um inglês não tão bom assim, então senti as dificuldades de comunicação, mas tudo parecia lindo a medida que eu conseguia me expressar, porque estava com um espírito aventureiro e não tinha medo algum de errar. (o medo é um dos fatores que faz os alunos não desafiarem a si mesmos). #fato.
Eu motivei a mim mesma, mas também tive excelentes professoras de alemão no Brasil que apostavam em mim, que me motivaram, que me diziam que eu podia ir cada dia mais longe. Então, eu tinha prazer em fazer os exercícios, em descobrir as novas palavras desse idioma tão difícil, mas muito interessante. Sempre dividida entre o estágio e as aulas de alemão, e correndo feito louca atrás dos processos burocráticos para efetuar o meu intercâmbio. Foram meses de muita correria, e de ansiedade para a resposta positiva da universidade de Köln. (Entre trocas quase diárias de e-mails com o Fábio, que já estava aqui na Alemanha e me guiava como um bom e paciente professor).
Assim que recebi a notícia positiva, preparei as malas, me despedi rapidamente e parti para essa aventura, que talvez seria a mais interessante da minha vida. UM ano longe de casa, sem falar o idioma fluente, sabendo apenas o básico do básico, desafiei a mim mesma partindo do conforto do lar, dos amigos, da cidade e da língua portuguesa e me joguei para o velho mundo. Fosse o que fosse, se algo desse errado eu me arrependeria de ter feito, e nunca de não ter feito (como escreveu uma querida amiga atrás de uma foto que me deu de presente antes de eu partir, a Kennya).
Minha cabeça veio aberta, degustei novos sabores, mudei os hábitos alimentares, aprendi a andar de trem, não tinha vergonha de nada, nem de perguntar nem de dizer, apenas me deixava escolher as novas sensações que queria viver, da forma inocente como um intercambista de primeira viagem vê outro país. E deu tudo certo. As coisas foram se desenhando, as novas amizades foram se solidificando, e quando eu menos percebi, eu já tinha uma rotina, já me via como parte da paisagem, e não como uma turista e sua máquina fotográfica. Já reciclava como algo natural, já levava a sacola para o supermercado, já comia Brezel, wurst ou Kebab como o pão de cada dia, já sabia as rotas de trem décor, já jogava o papel higiênico no vaso e não no lixo, fazia dos produtos genéricos JA a minha base, já usava calefação com naturalidade, e nunca atravessava a faixa sem o semáforo estar verde, já ia sozinha no Flohmarkt, e tomava diferentes cervejas Kölsch e até Jägermeister na Zülpicher strasse como ninguém...
E derrepente já me sentia integrada na cidade, mesmo tendo poucos amigos alemães, já que não dominava o idioma, e nem todo mundo tem paciência para esperar um estrangeiro montar a frase com o verbo no final, seja separável ou não, com a declinação em nominativo, acusativo, dativo OU genitivo, e com toda reflexão linguística que fazíamos em menos de 5 segundos, com um certo receio de errar (sem se importar). Eu queria era viver essa aventura!
Mas com o passar do tempo às coisas foram ficando mais sérias, as exigências ficaram maiores, e tivemos que frequentar, além das aulas de alemão, as aulas na universidade. Temas sérios, aulas com mais de 200 alunos, professor com microfone, e você pesquisando as palavras do powerpoint no dicionário para entender sobre o que se tratava a aula. Nesse quesito, eu já sabia que o desafio seria maior, já que alguém que iniciou o estudo de alemão há tão pouco tempo jamais poderia acompanhar a aula em sua plenitude. Mas a auto cobrança me enlouqueceu em certo ponto, queria ver resultados logo, mas era claro que eles não seriam perceptíveis, né, Su?! Relaaxei.
Foi então que uma professora de alemão conseguiu afetar toda a coragem e motivação para o aprendizado do idioma. Ela mesmo era desmotivada com a vida, dava aula para os alunos bons (3 ou 4) e o resto nadava atrás da velocidade das aulas, da quantia de informações, e ela por vezes ria quando errávamos. Muita gente se fechou, e eu não me sentia a vontade na aula, ia com medo de errar, porque ela não era uma pessoa aberta. Foi aí que eu percebi – novamente - a importância de um professor na vida do aluno, o quanto ele tem a possibilidade de interferir no avanço ou retardo do aprendizado.
Por sorte, professores vem e vão, e logo eu encontrei uma professora melhor, animada, cabeça aberta, que nos encorajou a errar e toda essa bad passou. Hoje eu tenho bem claro para mim que o idioma alemão é muito difícil e não é em um ano que se pode ficar fluente. Pretendo continuar com meus estudos depois, para aperfeiçoá-lo aos poucos. E levo comigo essa lição, para ser uma professora melhor para os meus alunos, seja lá onde eu for das aulas. Porque talvez aquele aluno que não produz em sala de aula não seja um aluno ruim, e nem que possua dificuldades, mas que esteja desmotivado por algum motivo interno ou externo, e eu como professora possa fazer algo por ele, ao invés de desconsiderá-lo ou rir dos seus erros – como aconteceu com nossa turma.
Retornando ao princípio do texto, que eu estava super ocupada com os trabalhos da universidade, também não posso descartar que se expressar em outro idioma é muito complicado, ainda mais quando as expressões mudam e você não pode traduzir as frases exatamente como elas são no português. A estrutura muda, as expressões também, o verbo vai pra outra posição, e você não fica louco nãão, apenas entende que cada um se expressa a sua maneira e se eu estou aqui, vou procurando – dentro da minha velocidade – absorver o máximo de informação nova que puder. E se não der hoje, outro dia vai dar. E se o tempo acabar, eu volto outra vez, só não posso desistir.
Hoje, eu estou aqui há oito meses e já percebo os frutos que essa viagem está me proporcionando. Tanto com o crescimento pessoa, quanto com o idioma. Não é a toa que sinto a necessidade de fazer um feedback, pois duas amigas que eu conheci, que foram minhas companheiras durante essa fase do intercâmbio - já que intercambista anda com intercambista – estão partindo de volta rumo a América Latina (Argentina). O clima é de despedida, a sensação é de saudade, mas também de alegria por tantas descobertas com essas companheiras de viagens (das mais diversas possíveis).
Sorte tê-las encontrado, pois temos muita coisa em comum, e é muito triste ir para um país e não encontrar pessoas que pensam como você, que gostam do mesmo estilo de música, de falar sobre as mesmas coisas, de rir das mesmas situações, e que acima de tudo não tem receio em abraçar e acalentar no momento de dor (sem contar nos momentos de riso!). Falamos em português, em espanhol, em catalão, em inglês e em alemão. Estou feliz por ter a oportunidade de conhecer elementos de diferentes culturas em uma só cidade, não posso descrever a sensação, mas posso guardar dentro de mim os bons momentos. Ainda tenho mais 4 meses, e muita coisa vai acontecer durante a primavera e o verão.
O inverno se foi, deixando saudades – apesar de ter convivido pouco com a neve. Mas agora veio o sol, alegrando todos os habitantes de Köln, os fazendo sorrir, ir para os parques desfrutar do sol, fazer grill com os amigos, tomar uma cerveja... E a paisagem nos fez mais feliz, e me abriu portas para viajar MAIS pela Europa. Em breve, postarei fotos da viagem que fiz para Berlim com minhas amigas, e a futura viagem para Paris. Espero voltar a postar com mais frequência, se o sol me deixar ficar em casa no computador hahahaha porque eu tenho vontade de sair para pedalar! Beijos, fuui.
OI Suh, que reflexões pertinentes. Parabéns!
ResponderExcluirRealmente é de fato imprescindível aprender que existe um tempo necessário para a compreensão, não adianta só receber as informações, é preciso que reflitamos com relação às coisas e às pessoas, enfim , tudo.
Oi Su, que bom que mandou noticias!!
ResponderExcluirEstamos com saudades... Não desanima ae.
Bjss
Su, ter conhecido você foi um presente! Você é tem um brilho muito intenso e por onde quer que vc vá, vai se dar bem, tenho certeza. É muito lindo poder ler tudo isso, estar com você, mesmo tão longe... Estou com muitas saudades, com novidades e feliz mas nao consigo te escrever, talvez pq eu queira vc aqui! E cheia de histórias! Saber das tuas alegrias, enfim... Aproveite esse sol então ^^
ResponderExcluirBeijão